13 de out de 2011

LIVRO "A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS" - Resenha

Quão surpreendente, fascinante e dolorosa pode se tornar a palavra. Um dom apreciado por poucos. Algo que passa despercebido por muitos. Mas o que a jovem Liesel Meminger conseguiu ao descobrir as palavras, foi a oportunidade para viver. Reconheço que comecei a ler A menina que roubava Livros com certa relutância. E creio que essa relutância só me trouxe uma grandiosa exaltação conforme as páginas iam sendo exploradas. Afinal deve ser considerada uma grande oportunidade a possibilidade de conhecer uma história que encantou a própria Morte.

Liesel Meminger é uma menina que aos 10 anos vê seu irmão morrer, “com um olho aberto e outro ainda em sonho”, durante uma viagem de trem junto a sua mãe com destino a uma casa situada na Rua Himmel 33. E foi nessa rua, de um bairro pobre de Molching, onde Liesel foi abandonada aos cuidados dos Hubermann, seus novos pais.
Ao entrar em sua nova casa, trazia consigo um segredo. Um livro que ela havia usurpado no enterro de seu irmão. Livro esse que um jovem aprendiz de coveiro desatento deixou cair. Mas tal ato não passou despercebido aos olhos da jovem Liesel, aquele pequeno livro preto com letras prateadas – O Manual do Coveiro. Estava ali cometido o primeiro roubo. Estava ali iniciando a jornada de uma roubadora de livros.
Em um breve período de 4 anos, onde o poder absoluto era regido pela suástica, Liesel vive suas maiores lembranças e seus maiores pesadelos. E é nas palavras dos livros roubados que a menina consegue se livrar dos constantes pesadelos com a morte do irmão. E é devido a essas mesmas palavras que ela consegue escapar da morte, com quem ela teve três encontros antes de chegar a sua hora.
Muitos outros personagens são importantes na vida da menina. Como o seu pai Hans Hubermann, que foi quem a ensinou a ler e também era um grande tocador de acordeão. O jovem cheio de vida Rudy Steiner, com quem Liesel vive suas maiores aventuras e acaba se tornando o seu primeiro amor. Pena ela ter descoberto isso muito tarde, já que o destino de Rudy envolve também um encontro com a Morte de forma bem prematura. Há ainda o judeu refugiado em sua casa que acaba se tornando um grande amigo e com quem Liesel divide o poder e sabedoria das palavras.
Não é a toa que este livro de 500 páginas se torna tão grandioso. A linguagem é cativante e com uma estrutura diferenciada, uma história sombria que desperta curiosidade a cada instante. Um livro narrado pela própria morte ambientado na Alemanha durante a segunda Guerra Mundial.
Tudo o que se passa com a vida de Liesel Meminger é grandioso e gracioso, momentos ímpares de uma jovem despretensiosa que só deseja devorar as palavras dos seus livros tão queridos.
Após terminar de ler A menina que Roubava Livros, após sair do transe que me encontrava naquele momento, fechei o livro e olhei para a sua capa e contra-capa e concordei em absoluto sobre o que estava escrito ali. “Quando a Morte escreve uma História, você deve parar para lê-la”.

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